posted October, 3rd5,226 noteshaxxly

“Eu conheci um cara. Quer dizer, eu vi ele por aí. Ele é legal, divertido, tem um gato e uma barba. Ele não transparece defeitos e é cobiçado por várias meninas, parece aqueles personagens principais dos filmes da Sessão da Tarde, sabe? Ele é daqueles que nunca olharia pra uma garota como eu, mas eu fui. Eu falei. E ele respondeu. Conversamos por alguns dias e ele me pareceu tranquilo, porém aquela impressão de perfeição tinha sumido. Ele era normal, eu era normal e isso que tava acontecendo era normal. Eu conheci um cara, mas e daí? Eu era uma menina quase bonita e quase simpática, conhecer um cara tá no patamar de coisas normais. Conversamos por algumas semanas e ele me pareceu intenso. Aquela imagem de normalidade tinha passado, acabado, evaporado. Pra ele, tudo era agravante e agravado - ciúmes, brigas, discussões -, mas eu me adaptei. Eu gostava dele, ele gostava de mim e isso era o suficiente. Conversamos por alguns meses e ele me pareceu diferente. Diferente, digo, depois que o Dr. Rodrigo (o psiquiatra dele) diagnosticou ele com depressão atípica aguda, que é uma maneira disfarçada da depressão se apresentar. Ele me explicou que isso acontece naquelas pessoas que permitem os sentimentos entrarem sem motivo nenhum. Mas não foi surpresa, já que ele sempre fez uma fogueira com alguns palitos de fósforo - era só eu falar com um amigo meu e bum, tudo explodia. Ele explodia. Explodia de raiva, de felicidade, de tristeza, de emoção. Conversamos por mais alguns meses e ele me pareceu mais que um desafio. Ele era complicado. Conviver com ele era como resolver um cubo mágico e montar um quebra-cabeças ao mesmo tempo. Eu conheci um cara e todas as minhas amigas diziam pra eu desconhecê-lo, diziam que eu era uma pessoa equilibrada, já ele nem tanto. Diziam que eu não aguentaria uma carga emocional tão grande como a dele e às vezes diziam umas coisas tão chulas que eu nem ouvia. Eu conheci um cara, nós conversamos por um tempo e ele parecia gostar de mim. Quer dizer, ele provou isso. Ele, que todo mundo pensa que é cheio de defeitos, mas atura toda a minha sobrecarga de emoções e nem abre a boca pra reclamar. Ele, que poderia ter todos os defeitos do mundo, mas eu não eu deixaria de lado por mil churros recheados de chocolate. Ele, que é complicado, meticuloso e difícil, mas é o cara que eu conheci. Aquele cara. O meu cara. Eu conheci um cara e a nossa história virou um clichê da Tati Bernardi, mas poderia ter dado errado. Ou ainda vai dar errado. Ou já deu. Eu conheci um cara, você conheceu um cara e até outros caras conhecem alguns caras. Mas não é um cara que vai te derrubar – a única e exclusiva pessoa que pode fazer isso, é você – e, cara, ele é só um cara. E eu tenho certeza que você já superou outros caras antes.”

Aleff Tauã. (via classificar)